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Tranças em Dança

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O cheiro de seu cabelo crespo Se enrola em mim. Todos os sentidos dissolvem Mas sei esperar Passar a dor, O calor, As loucuras de nosso encontro.
Encontro sempre salgado E apimentado de tesão, Suor, Humor, Derramando seu prazer em curvas minhas Jamais tocadas. Sambando em meu couro Ritmando os movimentos repetidos E todas as aventuras de seu som.
Som de noite, Som de alma, Som de trepada boa. O laço de seu abraço Deriva saliências em mim, Toque de brim Em um sorriso de jasmim adocicado.
Mas nada de amasso, Soslaio, embaraço no olhar. É tudo verdade, Liberdade, vontade de amar.
No fim, reencontramos o começo De nós... três: Eu, você e o universo, Gozando de todas as formas as descobertas de corpos amantes nos seus mínimos detalhes
e maiores prazeres.
SANTOS, Ana Fátima dos. Tranças em dança. In: Kama: poemas e contos eróticos. Editora Cogito: Salvador, BA. 2017, p.9-10.
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16 de dezembro de 2016

Com alguns meses de atraso, mas venho aqui, cara leitora ou leitor, apresentar algumas imagens do lançamento dos cadernos negros volume 39 o qual fui pela primeira vez na capital paulistana.
Foram horinhas de realização de um sonho: eu, escritora!








Consciência Negra

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Minha consciência negra É a expansão da arte Feita por aqueles Que sentem a ancestralidade africana em seu âmago Todos os dias Herdada em milênios.
Minha consciência negra Atravessa os horizontes, Ultrapassa as estatísticas, Vira o jogo. Promovendo reparações E assumindo o que lhe é por direito.
Minha consciência negra Não depende do seu olhar, Ela advém de referências outras: Aqualtune, Dandara, Elisa, Lélia, Beatriz, Carolina, Conceição, Hildália, Vilma.


Para dentro de mim, E no abraço com as irmãs
Nessa luta milenar.
Ana Fátima
Disponível em Cadernos Negros - poemas afro-brasileiros, volume 39. São Paulo: Quilombhoje, 2016.

A natureza do verbo

O mar, o céu, a mata,
Elementos que preenchem as sementes
De minha aventura pela lida com a palavra.
Esta dita, bem-quista
E aludida em breves sonatas.

Não diga nada!
Calo a vergonha do ato de aprisioná-la
Em terras nunca antes desbravadas
Nas profundezas de minhas molhadas lembranças.

Memórias de Além-mar.
Caos de alforrias amorosas,
Cais de abraços irmanados.

A preta do meu lado
Carrega comigo as correntes de amores bandidos.
Recordações de paixões e desejos
Voluptuosos.
Passagens de sombras outras
Seguidas em passos largos...
Firmes como o ferro,
Inoxidável como o aço.

Da chama que forja o metal de Ogun
Brotam rimas aguerridas,
Complementares em tons e cores
Irmanadas em temperatura e correntes
Que fluem dos braços de Oxum.

Ah! Ser Quilombos de Palavras...
É vibrar quilombos de sonhos,
Anseios,
Quilombo de encontros e memórias.
Quilombo em pretumes, anunciando
Com espada em punho:
Dandara e Zumbi estão em terra!

(Ana Fátima dos Santos)

Cadernos Negros, volume 39: poemas afro-brasile…

ODUN - Encontro com escritoras negras

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Pense na felicidade de estar ao lado das minhas referências femininas!!!
Dia 21 de outubro de 2016, na Katuka, Salvador-Ba
Um encontro inesquecível com prosa, calor e muito de nós mulheres negras!

Vamos!?

A caça prometida

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Aos artistas e tecelões do Brasil

Aos prazeres da caça Aisha se deleitava diariamente: Vestir ajó alinhado na pegada de preta, Procurar um bom emprego, Farejar a oportunidade de crescimento intelectual, Seguir as marcas da carreira profissional Mais produtiva do momento.
Armar o cerco ideal para as entrevistas escorregadiças, E por fim, Flechar a vaga ofertada Secamente No Mercado do risco. É... a caça prometida Agora abatida em Microempresa. Ainda há de ser reconhecida Por conduzir ao futuro A herança ancestral dos seus mais velhos, Das tranças, rendas, amarrações,... De um caminhar africano Em terras outras, Por vezes, Estereotipado em sua diáspora. Contudo, trajetória trilhada por irmãs e irmãos de tradição: Mulheres rendeiras, mães de santo, Artesãs e tecelãs.
A bênção e licença aos que apontaram as possibilidades: Abdias do Nascimento, Mestre Dimas, Ilê Axé Opô Afonjá. Ilê Axé Iboro Odé, Comunidade Afro Bankoma. Axé ô!
É por acreditar e ter fé Que Aisha e tantas irmãs Unidas por alma e causa Praticam a arte da c…

A cartilha da autora século XXI

De mim, muito algo a desenrolar... Ser mulher é cheirar a ferida aberta Pulsar a flecha certeira Palmatória do mundo a acabar. Profissão escolhi, Estudos cumpri, Casa vigiei e arrumei.
Mas meu deleite é outro: Letras a bailar Em papéis, telas e folhas; Perpetuar nas cabeças A alma de minhas histórias. Carregar pedras Para traduzir sentimentos e desejos: Mandamentos de autora! Pedras escritas e relidas
Compromisso em ser mulher É reler e desdobrar A hélice das tramas de meus ancestrais Sem beber o amargor
Do chicote malfeitor.
Publicado na Antologia Poética Mulher Poesia, pela COGITO, 2016, p.16